quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Real ganha novo status com a circulação de novas cédulas

Novas cédulas do Real: tamanhos diferentes, como o Euro - (Divulgação) 



















Real ganha novo status com a circulação de novas cédulas
Deco Bancillon
Vicente Nunes
Publicação: 04/02/2010 08:24
O Banco Central gastará R$ 1,152 bilhão até 2012 (R$ 384 milhões por ano) para pôr em circulação a nova família de cédulas de real. A substituição, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, tem como objetivo principal aumentar a segurança do dinheiro que circula pelo país, reduzindo as falsificações. A troca também permitirá que o real, hoje uma moeda forte, circule pelo mundo. O que, na avaliação do ministro, é reflexo da importância que o Brasil vem ganhando no contexto mundial. "A vida é assim. Se um país é forte, se a sua economia é forte, é natural que tenha uma moeda forte. Temos que nos preparar para que o real tenha curso pelo mundo, que possa ser usado fora do país", afirmou. As novas notas custarão 28% a mais do que as atuais.


A substituição das cédulas de real que estão em circulação será feita de forma gradual, à medida que o Banco Central for recolhendo as notas desgastadas pelo tempo. Em uma primeira etapa, explicou o presidente do BC, Henrique Meirelles, serão fabricadas e trocadas apenas as cédulas de R$ 50 e R$ 100, as mais falsificadas. A primeira fornada sairá da Casa da Moeda a partir de abril. Serão 200 milhões de notas de R$ 50 e 50 milhões de R$ 100 - no total, há, atualmente, 1,6 bilhão dessas cédulas circulando pelo país. No primeiro semestre de 2011, será a vez de substituir as cédulas de R$ 10 e R$ 20. E, nos primeiros seis meses do ano seguinte, as notas de R$ 2 e de R$ 5. Não está prevista a fabricação de cédulas de R$ 1 pelo novo modelo. O BC optou pela produção de moedas nesse valor.

Meirelles fez questão de ressaltar que não há necessidade de a população correr aos bancos para trocar as atuais notas de real. "Durante um bom tempo, as duas famílias de notas vão circular normalmente pelo Brasil, sem nenhuma distinção", afirmou. Ele chamou a atenção ainda para o fato de, pela primeira vez na história, o país fazer uma troca de cédulas sem mudança no padrão monetário. Nos processos anteriores, devido ao descontrole inflacionário, o Brasil tinha que mudar o nome de sua moeda e cortar zeros. Agora, o que se vê é apenas um aperfeiçoamento no sistema de segurança.

"Estamos acompanhando a revolução tecnológica que ocorreu em todo o mundo. Teremos cédulas compatíveis com um país que consolidou um processo de estabilização, mantém a inflação na meta, e está se internacionalizando. É natural, portanto, que o real se torne uma reserva de valor, que as pessoas passem a guardar parte do dinheiro em casa", disse o presidente do BC. Ele ressaltou, porém, que houve a preocupação do governo de tomar alguns cuidados para não criar confusão na população. Ou seja, não haverá grandes modificações na aparência das notas. As cores das cédulas continuarão as mesmas, assim como as figuras ilustrativas.

Tecnologia

O que mudou foram os sistemas de segurança, para dificultar a falsificação, e as dimensões. Cada nota terá um tamanho, como ocorre em 83% dos países do mundo, sendo que, quanto maior o valor, maior será a cédula. Essa diferenciação, justificou o diretor de Administração do BC, Anthero Meirelles, contempla uma reivindicação da Justiça para facilitar a vida de mais de 2,5 milhões de deficientes visuais. Haverá, ainda, um detalhe como se fosse um chip de cartão de débito. "Absorvemos a melhor tecnologia do mundo usada para a fabricação da nova família do dólar, do euro e do peso chileno."

Na avaliação do chefe do Meio Circulante do BC, João Sidney de Figueiredo Filho, com os novos instrumentos, a falsificação do real tenderá a cair, aproximando-se dos padrões mundiais. Segundo ele, o índice no país é de 143 notas falsificadas por lote de 1 milhão. Na Europa, a relação é de 53 cédulas por grupo de 1 milhão. Ele lembrou que, há dois anos, as notas apreendidas pelo BC e a Polícia Federal equivaliam a R$ 28 milhões. Em 2009, esse valor recuou para R$ 23 milhões.
Fonte:
Correio Brasiliense (Economia)

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