segunda-feira, 19 de outubro de 2009

HELICÓPTERO DA PMRJ É ABATIDO EM MORRO DOS MACACOS


A população do Rio de Janeiro assistiu neste sábado, perplexa, à trágica transformação de bairros da cidade em cenários de guerra. Pela primeira vez na história, um helicóptero da polícia foi abatido no ar por bandidos. Oito ônibus foram incendiados na Zona Norte. Famílias em pânico deixaram suas casas. Mães tentaram proteger suas crianças. A maior das tragédias aconteceu na Vila Olímpica do Sampaio. No espaço criado para promover a prática esportiva na cidade que será sede das Olimpíadas de 2016, um piloto fez um voo heroico, após ser atingido por um tiro. O aparelho tinha a missão de socorrer policiais feridos em um tiroteio que atravessou a madrugada no Morro dos Macacos.

O resultado foi trágico: dois policiais militares mortos. Seis PMs foram feridos, entre eles o major João Jacques Soares Busnello, o atirador de elite aplaudido, mês passado, após salvar a vida de uma comerciante feita refém por um homem armado com granada em Vila Isabel. Dois moradores foram feridos. Dez pessoas, mortas — três seriam inocentes. Lacoste, um dos bandidos envolvidos na ação, foi preso.



Veja imagens do sábado no Rio



Por volta das 8h30m, cerca de 120 PMs entraram no Morro dos Macacos. Segundo o comandante do 1 Comando de Policiamento de Área (CPA), coronel Marcus Jardim, traficantes se reuniram na noite desta sexta-feira nas favelas do Jacarezinho e de Manguinhos e, de lá, partiram para o Morro São João, com o objetivo de invadir o morro de Vila Isabel.

Desde a madrugada, uma intensa troca de tiros assustou a população no Morro dos Macacos. Durante o confronto, o helicóptero Fênix da PM fez um pouso forçado no campo da vila Olímpica do Sampaio, localizado na Aveninda Marechal Rondon, onde pegou fogo. Nesta queda, dois policiais morreram e quatro ficaram feridos. Alvejado, o aparelho começou a pegar fogo ainda no ar.

Segundo moradores, o helicóptero sobrevoou, já cambaleando e com muita fumaça, a comunidade. Mesmo ferido, o piloto da aeronave, Marcelo Vaz de Souza, fez o pouso de emergência. Ele foi levado ao Hospital da Polícia Militar, no Estácio, com queimaduras nas mãos. No helicóptero, ainda estavam o capitão Marcelo Carvalho Mendes, que levou um tiro no pé e também foi levado ao Hospital da PM, os cabos Izo Gomes Patrício e Anderson Fernandes dos Santos, que sofreram queimaduras e foram levados ao Hospital do Andaraí e ao da Aeronáutica, na Ilha, respectivamente. Os policiais militares Marcos Stadler Macedo e Ediney Canazarro de Oliveira morreram no acidente.

Na intenção de confundir os policiais, traficantes deram início a uma sequência de incêndios: uma escola na entrada do Morro dos Macacos foi atacada, assim como ônibus em diferentes áreas da cidade: Jacarezinho, Riachuelo e Mangueira.

À tarde, o secretário de segurança, José Mariano Beltrame, o chefe da Polícia Civil, Alan Turnowski, e o comandante da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio Duarte, realizaram entrevista coletiva.

Eles confirmaram que as autoridades tinham conhecimento de que haveria uma invasão. Segundo o comandante Mário Sérgio Duarte, a polícia fez um planejamento e montou base numa das entradas da favela, mas os bandidos usaram um acesso ainda desconhecido:

— A inteligência da polícia trabalha com coleta de dados que leva a possibilidades. Mas existem acesso por vários bairros ao Morro.

Firme, Beltrame avisou:

— A polícia dará resposta à altura. Não é vingança nem represália, é combate à criminalidade.
REPORTAGEN EXTRAÍDA DO JORNAL EXTRA RJ

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