sexta-feira, 27 de novembro de 2009

POLICIA FERROVIARIA NO MUNDO (MUMBAI)

Mumbai tenta se recuperar um ano depois dos atentados

 

Um ano após os ataques terroristas, Mumbai ainda se recupera do trauma que durou três dias. Embora as medidas de segurança tenham sido intensificadas, a população teme que ocorram episódios semelhantes.

 

Há exatamente um ano, a cidade de Mumbai, capital financeira da Índia, sofreu o maior ataque terrorista da história do país, que matou mais de 160 pessoas e deixou mais de 300 feridos. O governo paquistanês apontou sete pessoas como responsáveis pelos ataques iniciados na noite de 26 de novembro de 2008.
Durante três dias, terroristas muçulmanos sitiaram a cidade, coordenando ataques simultâneos em diferentes locais, entre os quais hotéis de luxo, um centro judaico, um hospital, um restaurante e a principal estação ferroviária da cidade.
Cerca de 50 pessoas morreram na estaçãoBildunterschrift: Cerca de 50 pessoas morreram na estaçãoHoje tudo parece correr normalmente na estação de trens, por onde passam 3 milhões de pessoas diariamente. Mas é impossível não perceber os reforços adicionais na segurança. Todas as saídas e entradas estão equipadas com detectores de metais e o controle de bagagens se tornou mais frequente.
Além disso, tropas da Força Policial Ferroviária (Railway Police Force – RPF) patrulham o local carregando fuzis. Em quatro locais da estação – onde há um ano morreram cerca de 50 pessoas durante o ataque –, foram construídas estruturas similares a bunkers, ocupados constantemente por um ou dois policiais.
Polícia desprevenida
Às 21h50 do dia 26 de novembro do ano passado, o inspetor da RPF Sandeep Khiratkar foi informado por telefone de um tiroteio na estação central de trem. Em princípio, Khiratkar achou que se tratava de uma briga de gangues, que, segundo ele, são comuns em Mumbai.
No entanto, ao chegar à CST e ver dois homens com fuzis, jogando granadas e atirando aleatoriamente em passageiros, o policial logo percebeu que a situação era outra. "Foi aí que me dei conta de que aquilo não era uma guerra de gangues, mas sim um ataque terrorista", lembra Khiratkar.
Tropas indianas em frente ao Taj Mahal em 2008, onde centenas de hóspedes foram tomados como refénsBildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Tropas indianas em frente ao Taj Mahal em 2008, onde centenas de hóspedes foram tomados como refénsAssim como Khiratkar e seus subordinados, vários outros policiais avançaram rapidamente para combater os terroristas. Alguns deles tinham armas, outros não. Porém, as armas da polícia, rifles e revólveres, não eram suficientes para enfrentar as sofisticadas armas dos terroristas. Depois do banho de sangue com 50 mortos na CST, os terroristas seguiram em frente para atacar outros locais.
Ataques poderiam ter sido evitados?
Para Ragini Sharma, viúva de um funcionário da estação de trem que morreu durante o ataque, a situação poderia ter sido controlada. "Se a polícia estivesse bem equipada para lidar com qualquer tipo de situação, eles poderiam ter encontrado uma maneira de cercar os atiradores e dominá-los", disse à Deutsche Welle.
Muitos em Mumbai partilham esta opinião. Um ano após os ataques, o governo e as forças de segurança se questionam se estes poderiam ter sido evitados. Um comitê constituído pelo governo do estado de Maharashtra para investigar sua responsabilidade nos ataques apresentou resultados alarmantes.
No relatório, o Comitê Ram Pradhan menciona falhas do serviço de inteligência e falta de liderança e coordenação entre as diferentes equipes responsáveis pela segurança. "Os fatos de 26 de novembro nos serviram de alerta. Agora aprendemos que devemos estar preparados para qualquer situação no futuro", admitiu Khiratkar.
Na cidade, as medidas de segurança estão sendo elevadas. Instituições religiosas, hotéis de luxo e alguns complexos residenciais se mantêm em alerta máximo. Além disso, foram formadas tropas de elite treinadas especialmente para o combate ao terrorismo.
Até mesmo na CST, os policiais estão mais bem equipados para lidar com um ataque deste tipo. Khiratkar conta que todos os policiais da estação agora andam armados e estão sendo treinados para manusear fuzis de assalto e outras armas de combate.
Insegurança prevalece
Apesar das medidas de segurança, os milhões de habitantes de Mumbai ainda estão longe de se sentirem seguros. De acordo com Sharma, as medidas de segurança são intensificadas quando há visitas de altas autoridades.
Durante três dias, cidade esteve sitiada por terroristasBildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Durante três dias, cidade esteve sitiada por terroristas"Mas, quando eles se vão, a situação parece voltar ao normal", relata. No entanto, a viúva, que hoje trabalha na CST, afirma que não sabe se estas medidas de segurança realmente protegeriam a população em um novo ataque terrorista.
Os habitantes de Mumbai aceitaram a situação de ameaça constante. O editor do jornal local Urdu Daily Hindustan, Sarfaraz Arzu, ressalta que, embora a cidade seja conhecida por ter conseguido se reerguer depois dos ataques, o medo ainda está presente entre a população. "A escala e a natureza dos ataques foram tão grandes que até hoje o medo assombra as pessoas", constata o jornalista.
Em julho de 2006, a cidade sofrera um ataque terrorista no qual uma série de bombas estourou na hora do rush entre os trens locais. Porém, os ataques de 2008 foram os primeiros realizados com o contato direto entre terroristas e a população civil.
Autor: Pia Chandavarkar (jbn)
Revisão: Roselaine Wandscheer
 
 

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